Por Frederico Gomes*Evento é um avanço no estudo da superfície lunar – — WikiCommonsEvento é um avanço no estudo da superfície lunar – Foto: WikiCommons
O estágio superior do foguete Falcon 9, da empresa norte-americana SpaceX, colidiu com a Lua na madrugada desta quarta-feira (5). O impacto pôde ser observado por entusiastas da astronomia com o auxílio de telescópios. Para a comunidade científica, o evento representa uma oportunidade rara de estudar a colisão de um objeto de origem conhecida com a superfície lunar.
Segundo Luna Fontana Formigari, tecnologista da Agência Espacial Brasileira (AEB) e mestra em Física pela USP, as observações permitirão aperfeiçoar os modelos físicos utilizados para prever esse tipo de impacto e seus efeitos.
“Essa observação permite refinar os modelos físicos que predizem essas colisões e seus efeitos”
O episódio também servirá para testar equipamentos e a capacidade dos cientistas de detectar e monitorar eventos na superfície da Lua. Além de ampliar o conhecimento sobre a dinâmica dos impactos, os dados obtidos poderão contribuir para avaliar riscos que futuros astronautas e infraestruturas instaladas no satélite poderão enfrentar diante da queda de detritos espaciais.
O impacto
Luna explica que o estágio do foguete atinge a superfície lunar sem se fragmentar, produzindo um clarão que dura menos de um segundo. Em seguida, forma-se uma nuvem de regolito lunar — camada de poeira e fragmentos de rochas que recobre a superfície da Lua.
“Depois que essa nuvem assentar, deverá se formar uma cratera com algumas dezenas de metros de diâmetro”, afirma a pesquisadora.
Embora o clarão tenha podido ser observado por astrônomos profissionais e amadores na Terra, a cratera resultante só poderá ser registrada por equipamentos altamente especializados.
Era a melhor alternativa?
À primeira vista, direcionar parte de um foguete para colidir com a Lua pode parecer uma decisão controversa. No entanto, segundo a pesquisadora, o destino final de estágios de foguetes é definido com base em critérios técnicos e normas internacionais, especialmente em um contexto de crescente exploração espacial.
Na escolha do destino desses equipamentos são considerados diversos fatores, como tratados internacionais, diretrizes para redução de detritos espaciais, boas práticas da indústria e o uso sustentável das órbitas terrestres e do espaço cislunar.
Para quem teme possíveis consequências, Luna tranquiliza:
“Esse evento é seguro e, ao mesmo tempo, oferece uma importante oportunidade para a observação científica desse tipo de colisão”
*Sob supervisão de Marcia Avanza
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