
A obra oferece uma leitura aprofundada sobre a série Mandalas e o processo criativo do artista. De acordo com o autor, o interesse de Daibert por mandalas e outras formas circulares acontece em dois períodos entre a década de 1970 e o início dos anos 1980, resultando em séries como Gabriel e Grande sertão: veredas.
No livro, Polito enumera alguns elementos que explicam esse fascínio: “a visita ao Hospital Psiquiátrico de Engenho de Dentro e ao acervo reunido por Nise da Silveira, em 1973, a leitura dos trabalhos de Carl Jung, dos quais absorve ‘a importância de se considerar o sentimento paralelo ao pensamento quando da análise dos símbolos e arquétipos’ (anotação do Diário de Arlindo Daibert de 22 de janeiro de 1975), a curiosidade por figuras de alquimia, pelo tarot e pela cabala, a atenção a experiências e obras místicas”. O autor também destaca anotações do artista sobre artistas que realizam esse tipo de produção, como Emma Kunz e Adolf Wölfli.
O historiador André Colombo, que assina o posfácio da obra, destaca que a publicação é uma iniciativa de natureza arquivística e historiográfica que ultrapassa a simples divulgação, servindo de arcabouço para novas pesquisas: “ao organizar, cotejar e tornar acessíveis textos dispersos em documentos diversos como diários, datiloscritos, referências cruzadas, o organizador fornece subsídios consistentes para a continuidade e o aprofundamento das pesquisas sobre o artista. Ao explicitar variantes textuais, lacunas documentais e até as incertezas quanto à série Mandalas, o livro não encerra o assunto, mas, pelo contrário, o transforma em convite. Nesse sentido, o livro deve ser compreendido como suporte para novas investigações”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro “As mandalas de Arlindo Daibert”
Autor: Ronald Polito
Posfácio: André Colombo
Data: quinta-feira, 12 de agosto, às 19h
Local: Museu de Arte Murilo Mendes
Endereço: Rua Benjamin Constant, 790 – Santa Helena
Entrada gratuita

