As inscrições estão abertas para participar da terceira edição do Fórum de Integração Todas Elas, que será realizada em 17 de agosto na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em Brasília. O encontro vai reunir representantes do Judiciário, da Segurança Pública, das redes de atendimento e proteção, gestores, profissionais e a comunidade para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Promovido pelo Núcleo de Gênero do MPDFT, o fórum ocorre no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A programação terá como eixo o fortalecimento da atuação integrada entre os diferentes serviços e instituições que recebem, acolhem e acompanham mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
O debate acontece diante de um cenário em que a violência permanece presente na vida de grande parcela das mulheres do Distrito Federal. Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), realizada em parceria com a Secretaria da Mulher, aponta que 77,6% das mulheres entrevistadas já passaram por alguma situação de violência praticada por parceiro íntimo ao longo da vida. Apesar disso, apenas 44,8% reconhecem ter vivido esse tipo de violência.
O levantamento, divulgado em 2026, ouviu moradores do DF entre 3 e 18 de novembro de 2025 e reuniu 5.093 questionários completos. A pesquisa analisou não apenas a ocorrência da violência, mas também suas diferentes manifestações, as consequências para as vítimas e a percepção da população sobre o problema.
Violência ainda é difícil de reconhecer
Os números ajudam a dimensionar um dos desafios que estarão por trás das discussões do fórum: a identificação da própria violência. Segundo o estudo, as formas psicológica, física e sexual aparecem entre as mais frequentes, enquanto as violências moral, psicológica e patrimonial estão entre as menos reconhecidas pelas próprias mulheres como violência doméstica.
A pesquisa também identificou que 21,5% das mulheres entrevistadas sofriam alguma violência no período analisado. Entre as entrevistadas, 15,4% estavam casadas ou moravam com o parceiro agressor.
As consequências ultrapassam as agressões em si. Entre as vítimas que reconhecem ter sofrido violência, 93,5% relataram algum impacto, incluindo depressão ou tristeza, ansiedade ou estresse, medo, raiva, baixa autoestima ou sentimento de vulnerabilidade. Em 58,3% dos casos, filhos ou enteados presenciaram a violência.
O problema também aparece na percepção da população. Para 77% dos entrevistados, a violência doméstica havia aumentado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 78,5% afirmaram conhecer ao menos uma amiga ou familiar que vivenciou violência doméstica.
Integração da rede de atendimento
É nesse contexto que o Fórum de Integração Todas Elas pretende colocar em discussão a capacidade de resposta do poder público. Uma das atividades previstas é a apresentação dos resultados do Formulário de Avaliação de Equipamentos e Serviços de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Ames), elaborado no âmbito do Projeto Todas Elas.
O diagnóstico analisa serviços e equipamentos que integram a rede de atendimento às mulheres no Distrito Federal. A proposta é utilizar os resultados para discutir gargalos e possibilidades de aprimoramento da atuação das instituições responsáveis pelo acolhimento, proteção e garantia de direitos.
A programação também contará com um painel sobre Políticas de Prevenção do DF e Resultados, reunindo instituições governamentais e parceiras para apresentar programas, projetos e ações desenvolvidos para prevenir as diferentes formas de violência de gênero.
Outro eixo será o painel técnico-jurídico “Estratégias de Proteção e Responsabilização”, dedicado ao atendimento das mulheres em situação de violência doméstica e familiar no Sistema de Segurança Pública e no Sistema de Justiça. A discussão deve abordar desde o acolhimento e a proteção das vítimas até os mecanismos de responsabilização dos autores das agressões.
Memória de uma vítima de feminicídio
A programação também abre espaço para a dimensão histórica da violência contra as mulheres. O fórum receberá a exposição “Memórias e Silêncio”, da artista visual Valéria Teixeira Lima.
A mostra parte de uma história familiar: a avó paterna da artista foi vítima de feminicídio cometido pelo marido em 1965, no interior do Ceará. O crime ocorreu décadas antes da criação de instrumentos legais específicos para o enfrentamento à violência doméstica e, segundo as informações divulgadas pelo MPDFT, não chegou ao conhecimento da polícia nem da Justiça.
Ao recuperar essa memória justamente no ano em que a Lei Maria da Penha chega às duas décadas, a exposição propõe uma reflexão sobre o silenciamento da violência de gênero e sobre a importância do acesso das mulheres à proteção e à Justiça.
Todas Elas
O projeto Todas Elas é coordenado pelo Núcleo de Gênero e pela Coordenadoria Executiva Psicossocial (Ceps) do MPDFT e atua na construção de fluxos locais de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
A iniciativa articula o Ministério Público com redes locais formadas por diferentes atores institucionais e comunitários. As Assessorias de Perícia e Acompanhamento de Políticas Públicas (Apapps) também atuam nos territórios, identificando demandas, mobilizando instituições e assessorando as promotorias.
A terceira edição do fórum integra ainda os Ciclos de Diálogos da Lei Maria da Penha, promovidos a partir de orientação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em razão dos 20 anos da legislação.
Serviço
3º Fórum de Integração Todas Elas
Data: 17 de agosto de 2026
Horário: das 13h30 às 18h
Local: auditório da sede do MPDFT, em Brasília
Entrada: gratuita
Inscrições abertas, por formulário disponibilizado pelo MPDFT.
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