"Já havia um esforço para aumentar a cooperação nesse setor, que foi assinado em meados de 2014 e ficou travado por muito tempo pelo receio australiano de que esse urânio teria uso duplo pela Índia [com fins militares]. Então, foi um esforço até que se chegasse ao nível de confiança com a Índia para que o acordo fosse para frente e tivesse, de fato, a consolidação material desse esforço", disse.
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"As relações indo-australianas têm um processo de aprofundamento principalmente pelo lado comercial. Há algumas outras aproximações no setor de defesa e de minerais críticos, mas ainda existem certas resistências. O Quad é um fator estruturante dessa relação. É mais uma plataforma de cooperação tecnológica e também estratégica, principalmente no que diz respeito ao contexto marítimo", comenta.
Cooperação indo-australiana e os objetivos distintos
"O urânio é listado pelo governo indiano como um mineral crítico. Mas os minerais de terras raras e limpos, entre 80% e 90%, são oriundos da China. O estabelecimento da Índia como potência energética passa por ela conseguir mitigar essa vulnerabilidade nas cadeias globais. Sobre os impactos econômicos, acho que fica um pouco opaco quais são as regiões e as usinas que vão receber esse urânio", destaca.
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"A Austrália tem uma das maiores reservas de urânio do mundo e busca impulso para se consolidar como um elo importante das cadeias globais. Acho que também uma coisa importante de se ver é a busca da Austrália por alternativas regionais, porque geograficamente está próxima dos países do Sudeste e Leste Asiático e do Sul da Ásia", observa.
Nova Deli também quer diálogo com América Latina
"Politicamente, a Índia é uma das grandes defensoras do Sul Global e se coloca, cada vez mais, como a voz do Sul Global. A gente pode olhar também para conversas que têm sido feitas com países da América Latina, onde existem reservas [minerais críticos] muito grandes. Então, a Índia está olhando para ver qual é a situação", conclui.
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