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Uma parceria entre a USP e a Receita Federal completa 15 anos destinando mercadorias apreendidas ao ensino, à pesquisa, à assistência à saúde e a projetos sociais. Desde o início da colaboração, em 2011, cerca de 20 lotes de produtos, avaliados em aproximadamente R$ 13,3 milhões, foram repassados à Universidade por meio do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). No dia 6 de agosto, representantes das duas instituições se reuniram para celebrar a trajetória da parceria e discutir novas possibilidades de destinação dos produtos dentro da Universidade
Ao destacar a importância da colaboração, o superintendente adjunto da Receita Federal do Brasil no Estado de São Paulo, André Luiz Martins, ressaltou que a Universidade exerce um papel estratégico. “A academia nos ajuda a destinar muita coisa que, sem ela, não teríamos condições de dar uma finalidade. Produtos que poderiam ter como destino a destruição passam a ter uso em ensino, pesquisa e transformação social”, afirmou.
Segundo o diretor do ICB-USP, professor Carlos Taborda, a ação contribuiu significativamente para o fortalecimento das atividades acadêmicas. “A parceria com a Receita Federal tem sido de grande importância devido à transferência de equipamentos e produtos apreendidos, que puderam ser destinados, principalmente, à pesquisa e ao ensino”, destacou.
Ao longo desses 15 anos, a parceria permitiu que itens de diferentes naturezas fossem incorporados a projetos acadêmicos e sociais. Impressoras 3D passaram a ser utilizadas no ensino e na pesquisa no ICB, equipamentos e insumos odontológicos foram incorporados às atividades de graduação da Faculdade de Odontologia, enquanto materiais hospitalares contribuíram para ampliar atendimentos e melhorar a infraestrutura em serviços de saúde da Universidade.
Parceria contínua
Para o diretor do ICB-USP, o efeito das doações vai além dos muros da Universidade. “Os materiais apreendidos pela Receita Federal destinados à USP retornam à população por meio do serviço público. Eles são aplicados tanto na educação e no aprendizado quanto em projetos sociais”, afirmou Taborda.
O superintendente da Receita ressaltou que iniciativas como essa ajudam a transformar a percepção da sociedade sobre o órgão. “Ao mesmo tempo em que realizamos a destinação dos bens, conseguimos dar a eles um valor social e ambiental. Com o conhecimento da academia, itens que seriam descartados passam a ter nova utilidade, beneficiando estudantes e a população”, afirmou.
Para a Receita Federal, a Universidade é uma parceira estratégica na busca por soluções criativas e sustentáveis. “Nosso trabalho é dar o melhor destino às mercadorias apreendidas, e a universidade cumpre um papel essencial ao transformá-las em recursos de alto valor social”, afirmou o analista tributário Luís Fernando Simonetti, citando como exemplo aparelhos de TV Box que foram reaproveitados e convertidos em computadores para escolas.
Colaboração consolidada
A parceria entre o ICB-USP e a Receita Federal teve início em 2011, quando a funcionária Andréa Queiroz, do setor financeiro do instituto, descobriu que a Receita doava bens apreendidos a instituições públicas e levou a proposta ao então diretor, professor Rui Curi. A partir disso, o ICB-USP passou a centralizar o recebimento das doações e a redistribuí-las para outras unidades da USP e instituições parceiras, modelo que se mantém até hoje.
Segundo Andréa, o grande diferencial da parceria foi garantir um fluxo contínuo de materiais para a Universidade, reduzindo gastos e permitindo ampliar investimentos em pesquisa. Ela relembra que tudo começou em 2011: “Em conversa com o professor Rui Curi, então diretor do instituto, descobri que a Receita Federal fazia doações para instituições públicas. Fiz os contatos, preparei a documentação e o ICB passou a centralizar esse processo. A Receita doava em nome do instituto, e nós destinávamos para as outras unidades da USP”.
Ao longo dessa trajetória, a iniciativa foi se consolidando e a cada ano um encontro formaliza a continuidade do trabalho. No total, desde 2011, a Receita Federal já destinou ao ICB-USP aproximadamente R$ 13 milhões em materiais, hoje incorporados a ações de ensino, pesquisa e impacto social. Entre as doações, destacam-se impressoras 3D, utilizadas tanto na produção de placas táteis para apoiar o ensino de biologia a pessoas com deficiência visual quanto na fabricação de face shields distribuídas a hospitais durante a pandemia. Tablets também foram encaminhados ao Museu de Anatomia Humana “Alfonso Bovero”, ampliando para estudantes da rede pública o acesso a recursos digitais de aprendizado.
Outros itens tiveram impacto direto em diferentes áreas da Universidade e da sociedade. Lotes de cabelos, por exemplo, serviram a pesquisas sobre produtos capilares na Faculdade de Ciências Farmacêuticas e também à confecção de perucas doadas ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), em benefício de pacientes com câncer. Pinos para implantes dentários reforçaram atividades na Faculdade de Odontologia. Já óleos essenciais apreendidos foram aproveitados na produção de sabonetes distribuídos em ações sociais coordenadas pelo Padre Júlio Lancellotti, levando dignidade e cuidado a pessoas em situação de rua.
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*Texto adaptado de Ana Carolina Guerra (Núcleo de Comunicação ICB)




