"Ceuta pode se tornar um polo de radicalização e recrutamento jihadista, envolvendo dezenas de indivíduos nascidos na região que anteriormente partiram para lutar na Síria e no Iraque", aponta um documento do governo italiano citado pela imprensa.
Especificamente, a cidade marroquina de Castillejos — localizada a poucos quilômetros de Ceuta — tem sido frequentemente palco de operações conjuntas de contraterrorismo entre a Espanha e o Marrocos, visando desmantelar redes jihadistas transfronteiriças.
Segundo relatos da mídia, os serviços de inteligência italianos receberam informações de seus homólogos espanhóis sobre uma possível nova tentativa de entrada em massa de migrantes em Ceuta. Estão ocorrendo discussões em chats online e nas redes sociais sobre antecipar a data de uma nova travessia, que havia sido marcada anteriormente para 15 de agosto.
O relatório indica que os telefones utilizados pelos indivíduos que promovem essa nova onda possuem números de vários países, incluindo Argélia, Egito, Estados Unidos, Líbia, Senegal e Tunísia. As autoridades italianas não descartam a possibilidade de que uma entidade organizada esteja por trás da campanha de mobilização nas redes sociais, embora os responsáveis ainda não tenham sido identificados.
No último sábado (8), a Espanha restabeleceu controles de fronteira nas conexões aéreas e marítimas com a Itália, em resposta à recusa do governo italiano em suspender as restrições impostas após a crise migratória em Ceuta.
Nos dias 30 e 31 de julho, milhares de pessoas entraram de forma irregular na cidade autônoma de Ceuta — um enclave espanhol na África que faz fronteira com o Marrocos. Segundo dados do Ministério do Interior da Espanha, cerca de 72 mil migrantes invadiram a cidade.
A incursão em massa começou após a circulação de um boato nas redes sociais de que aqueles que chegassem ao território espanhol não seriam devolvidos ao Marrocos. Ao descobrirem que isso não era verdade, a grande maioria dos migrantes retornou ao território marroquino.


