BdF e RosaLux: Documentário sobre transição energética e mineração estreia em São Paulo com sessão gratuita

10/08/2026 às 14:480 visualizações
Documentário revela contradições da agenda climática e seus impactos sociais
Documentário revela contradições da agenda climática e seus impactos sociais
Brasil de Fato

O Memorial da Resistência de São Paulo recebe, no dia 15 de agosto, das 15h às 17h, a exibição do minidocumentário “Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética”, iniciativa da Fundação Rosa Luxemburgo em parceria com o Brasil de Fato.

A produção, que teve pré-estreia na COP30, em Belém (PA), no ano passado, propõe uma reflexão crítica sobre o papel da mineração na chamada transição energética. Após a sessão, o público poderá acompanhar um debate com pesquisadoras que investigam os impactos políticos, sociais e ambientais da expansão da atividade mineral associada à produção de tecnologias voltadas à redução das emissões de carbono.

O documentário examina uma das principais tensões da agenda climática contemporânea: enquanto governos e empresas apresentam a transição energética como resposta à crise climática, cresce a demanda por minerais estratégicos — como lítio, cobre e níquel — para abastecer tecnologias de baixo carbono. Esse movimento amplia a fronteira mineral no Sul Global e intensifica conflitos territoriais, ambientais e sociais.

A partir de relatos de comunidades atingidas e de análises de pesquisadoras e militantes, a produção evidencia efeitos da expansão minerária, como a financeirização da natureza, a contaminação das águas, o adoecimento das populações e o enfraquecimento das economias locais.

“Os territórios atingidos pela mineração continuam pagando a conta de um modelo que se apresenta como solução climática, mas que reproduz as mesmas violências de sempre”, afirma Elisangela Soldateli Paim, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da Fundação Rosa Luxemburgo.

A coordenadora de jornalismo do Brasil de Fato, Monyse Ravena, destaca a relevância da temática. “O tema da exploração capitalista do meio ambiente e os impactos para a sociedade brasileira são pautas prioritárias no BdF, em diversas linguagens. Esse documentário é uma expressão importante dessa prioridade e materializa a visão popular dos fatos que praticamos”, diz.

Já a diretora executiva do Brasil de Fato, Nina Fideles, ressalta a importância de ampliar a visibilidade de temas frequentemente negligenciados ou tratados de forma superficial pela mídia tradicional. “O BdF tem como um dos seus nortes a produção de reportagens que consigam aprofundar temas sobre os quais poucas pessoas falam. Por isso, é fundamental ter parceiros como a Fundação Rosa Luxemburgo, que possam compartilhar dessa responsabilidade e somar esforços nessa nossa luta de ser didático com nossa audiência e de repercutir temas que ficam muito às margens da mídia comercial”, afirma.

Para a diretora e produtora do documentário, Katarine Flor, a proposta é ampliar o debate público sobre os custos humanos e ambientais do atual modelo de transição energética. “O documentário conecta histórias de pessoas diretamente afetadas pela mineração às discussões sobre clima, desenvolvimento e justiça ambiental. Mais do que apresentar um diagnóstico, ele convida o público a refletir sobre quem suporta os custos dessa transformação e quais caminhos podem garantir uma transição energética verdadeiramente justa”, afirma.

Após a exibição, está prevista uma conversa aberta com Elisangela Soldateli Paim; Litz Gouvea, militante e ativista socioambiental integrante do coletivo Clima Ácido; e Esther Fróes, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM-MG) e doutoranda em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O debate deve discutir os desafios da transição energética diante da expansão da mineração, os impactos sobre comunidades e territórios, a disputa por minerais estratégicos e as possibilidades de construção de modelos energéticos comprometidos com a justiça climática, os direitos humanos e a soberania dos povos. A atividade é gratuita e aberta ao público.

Serviço

“Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética”: exibição do minidocumentário e debate
Data: 15 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: 15h às 17h
Local: Memorial da Resistência de São Paulo
Endereço: Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia, São Paulo (SP)

Participam do debate:

  • Elisangela Soldateli Paim, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da Fundação Rosa Luxemburgo
  • Litz Gouvea, militante e ativista socioambiental integrante do coletivo Clima Ácido
  • Esther Fróes, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM-MG) e doutoranda em Economia pela UFMG
Fonte
Brasil de Fato
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