
A arte de Claudio Mubarac surpreende pela sensibilidade das formas. E Ulysses Boscolo desafia a percepção do espectador com a vibração de suas figuras. Os dois seguem juntos na exposição Pareidolia(s), inaugurada no dia 8 passado na Graphias Casa da Gravura, em São Paulo.
Na mostra, a disposição das obras aponta o caminho das artes de Claudio Mubarac, que é professor do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e de Ulysses Boscolo, artista que foi orientando de Mubarac no curso de mestrado em Artes Plásticas na ECA, concluído em 2012.
As imagens sugerem um diálogo curioso na pintura, em que técnicas, formas e ideias vão fluindo. Daí o título da mostra, Pareidolia(s), termo que se refere ao fenômeno psicológico em que o cérebro humano reconhece rostos, animais e padrões familiares em objetos inanimados, sombras ou imagens aleatórias, como uma nuvem. Porém, na mostra de Mubarac e Boscolo, a arte toca (ou não) livremente os olhos, o cérebro, o coração.

“Pareidolias estão junto de, ao lado e além das imagens, formas, figuras e fantasmas, não necessariamente nessa ordem”, explica Mubarac. “São também produção, reprodução, tradução, interpretação de estímulos visuais e visionais. Vivem sem necessidade de estabelecer padrões e significados atrelados aos fenômenos que representam, mesmo que estes busquem entrar sempre pelas janelas, pelas frestas, numa espécie de insubordinação aos fatos materiais. São figuras de sombras. São vultos de luzes ensandecidas. São estalidos silenciosos fabricados pelas tarefas das figuras.”
Boscolo acrescenta: “Por isso, nesse universo procuramos a dança. Estimulamos a linha que escapa. Espelhamos as manchas que escorrem e entram nos menores e maiores hábitos do olhar, caminhando dormente ao se perder na profundidade dos espelhos de papel. Entre um e outro preferimos a atmosfera do pêndulo, que faz das aparências temporais uma espécie de colagem onde tudo muda pela paisagem constantemente movediça. O que tornam as coisas simulacros? Incisões, tintas, coleções, ensaios, oralidades, provocações ligeiras nas páginas soltas de um livro de cabeceira?”.
Os dois artistas já se apresentaram juntos em várias exposições. A Graphias Casa da Gravura, com acervo e espaço expositivo, foi criada em 2003 pela artista Salete Mulin e pelo engenheiro Mauro Vaz. Um espaço que vem divulgando os artistas e gravadores da USP.

A exposição Pareidolia(s), de Claudio Mubarac e Ulysses Boscolo, fica em cartaz até 12 de setembro, de quinta-feira a sábado, das 14hs às 17hs, na Graphias Casa da Gravura (Rua Joaquim Távora, 1.605, Vila Mariana, em São Paulo). Entrada grátis.




