Estudantes de diversas organizações ocuparam a praça do Buriti, em Brasília, na tarde desta segunda-feira (10), para reivindicar investimentos na educação pública do Distrito Federal. Com faixas, tambores e palavras de ordem, o ato foi marcado por críticas à governadora Celina Leão (PP) que havia anunciado um corte de R$ 25,5 milhões do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) nas escolas.
Após pressão dos movimentos populares e da comunidade escolar, a Secretaria de Educação revogou a medida. O protesto foi mantido para reforçar a denúncia de precarização na rede pública do DF, além de se somar à mobilização pelo Dia do Estudante, comemorado no dia 11 de agosto, com atos previstos pelo país.
Com participantes de idades variadas e de diversas escolas públicas, a mobilização no DF contou com a presença de organizações como a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da União da Juventude Comunista (UJC).
A concentração iniciou na Câmara Legislativa (CLDF) e marchou rumo até a praça localizada em frente à sede do executivo distrital. “Há 8 anos nossa educação vem sendo sucateada. Temos escolas sem climatização, sem laboratórios de informática e ciência. Queremos um governo que invista na qualidade da educação e não que nos deixe de lado”, desabafa o estudante Álex da Costa Maciel.
Para os manifestantes, o baixo desempenho do DF no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 é resultado direto do sucateamento perpetrado pelo atual governo. “Nossa nota do Ideb foi prejudicada pela Celina Leão. A gente sabe que a nota baixa não é culpa dos estudantes nem dos professores, mas sim da falta de compromisso do governo Celina Leão com os estudantes”, acrescenta Maciel.
“Estamos aqui para denunciar o desmanche na educação feito pelos governos Ibaneis e Celina Leão. Os cortes e a falta de investimento têm sido prejudiciais para a nossa juventude. Também estamos defendendo o [programa] Pé-de-meia, o passe livre estudantil e o fim da escala 6×1″, argumenta Maria Eduarda, vice-presidente da UNE.
Sucateamento
A estudante Olívia Peters denunciou o sucateamento em sua escola. “Eu estudo em uma escola que não tem ventilador, não tem bebedouro, a tomada explode. O ato é importante em meio a esse desgoverno da Celina Leão, onde tudo foi precarizado. É muito importante que os jovens se unam para acabar com a extrema direita e fazer de Brasília uma cidade de luta e rebeldia”, aponta a integrante do movimento Kizomba.
O ato também rendeu críticas ao modelo das escolas cívico-militares, modelo presente em pelo menos 25 escolas no DF, concentradas principalmente em Ceilândia, Samambaia e Núcleo Bandeirante, sendo algumas geridas pela Polícia Militar e outras pelo Corpo de Bombeiros.
“Chega de militarização das escolas. Não é a opressão dos estudantes que vai resolver a educação no Distrito Federal. É por meio de recursos, empatia e representação de identidade que teremos uma educação de qualidade. Queremos estrutura, profissional valorizado, investimento, escola com tecnologia, cultura e esporte”, afirma a estudante secundarista Júlia Curado, membro da Ubes.
O ato também criticou o novo ensino médio que, segundo estudantes ouvidos pela reportagem, tem sido um dos principais motivos de evasão escolar.
Uma das pautas defendidas pelos manifestantes foi a Nova Escola Brasil, iniciativa da Ubes que propõe mudanças para o ensino médio. A plataforma defende a ampliação da permanência estudantil e de políticas de saúde mental, além de uma maior participação dos estudantes na gestão das escolas.
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