Crise do BRB vira principal tema no primeiro debate ao governo do DF

Por Kennedy Cruz10/08/2026 às 21:340 visualizações
Banco de Brasília
Banco de Brasília
Brasil de Fato

A crise do Banco de Brasília (BRB) foi um dos principais assuntos do primeiro debate entre os pré-candidatos ao governo do Distrito Federal, realizado pela Band Brasília neste domingo (9), no Teatro do Sesc Ceilândia. O banco foi citado em 18 momentos de fala pelos seis candidatos, que usaram a situação financeira da instituição para cobrar responsabilidades da atual gestão e questionar os impactos da crise sobre os serviços públicos.

Leandro Grass (PT) atribuiu à gestão de Ibaneis Rocha (MDB), da qual Celina Leão (PP) foi vice-governadora, a responsabilidade pela crise e citou valores estimados para o rombo do banco ao questionar José Roberto Arruda (PSD).

“O governo Ibaneis e Celina causou no BRB um rombo estimado entre R$ 8 e R$13 bilhões. Essa negociata com o Master é o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. O ex-presidente do BRB está preso, o Ibaneis fugiu do governo, a vice disse que não tem nada a ver com a história. Quem são os responsáveis pelo roubo do BRB?”, questionou Grass.

Ele também criticou o que considera um desvio da função do banco e citou negócios e patrocínios realizados durante a gestão anterior. Para o pré-candidato, a crise expôs ainda a falta de transparência sobre as operações da instituição.

“O BRB começou a entrar em um monte de negócio que não tinha nada a ver com o seu papel, que é apoiar a cidade, o pequeno produtor, o empreendedor. […] Vão lá negociar o acordo sem publicar o balanço do banco, sem publicar a auditoria e deixando os empregados do BRB com ansiedade”, criticou.

O pré-candidato relacionou a crise financeira do banco ao risco de redução de recursos para áreas como saúde e educação. Grass afirmou que a população e os servidores não podem assumir o custo de uma eventual recuperação do banco público.

Rombo e responsabilidade

A divergência sobre a dimensão do prejuízo também apareceu entre os pré-candidatos. Durante o debate, foram mencionados valores de R$ 6,6 bilhões a R$ 20 bilhões, sem que os participantes apresentassem um número consensual sobre o custo da crise. José Roberto Arruda (PSD) questionou os valores apresentados em documentos do governo e cobrou a publicação do balanço do banco para que os candidatos e a população possam dimensionar a situação.

“Numa carta que o governo encaminhou ao Banco Central essa semana, ele diz num dos primeiros parágrafos que o furo é de R$ 6,6 bilhões e, no último parágrafo, diz que, se não viesse dinheiro, o furo seria de R$ 20 bilhões. Pergunta: quanto é o furo?”, questionou.

“Talvez nós todos aqui, seis candidatos, possamos ter um ponto de consenso: todos assinarmos um manifesto pedindo ao presidente do BRB que publique o balanço para saber realmente o tamanho desse buraco”, completou.

A crise do BRB também foi usada pelos adversários para cobrar de Celina Leão explicações sobre sua relação com a gestão anterior. A governadora foi vice de Ibaneis Rocha durante quase todo o mandato e hoje ocupa o Palácio do Buriti. Kiko Caputo (Novo) questionou a alegação de Celina de que não teria relação com as decisões que levaram à crise. O candidato citou a ligação entre a direção do BRB e o grupo político da governadora.

“A atual governadora diz que não tem nada que ver com o escândalo do BRB, mas o presidente do banco é do partido dela. Quem estava tratando das questões do BRB era o presidente nacional do partido dela. Não é possível que não saiba de nada”, afirmou.

Celina afirmou durante o debate que foi contrária à aquisição do Banco Master e que soube da operação pela imprensa. A governadora também disse que, na condição de vice-governadora, não tinha poder para interferir nas decisões tomadas por Ibaneis.


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