Marina do MST: ‘Nossa luta é para que a política pública chegue nos territórios’

Por BdF Entrevista11/08/2026 às 00:420 visualizações
Maria do MST tenta a reeleição como deputada estadual no Rio de Janeiro
Maria do MST tenta a reeleição como deputada estadual no Rio de Janeiro
Brasil de Fato

A deputada estadual Marina do MST (PT-RJ), eleita para seu primeiro mandato em 2022, se prepara para buscar sua reeleição na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Primeira mulher sem terra a ocupar uma cadeira no parlamento fluminense, Marina destaca que fundamenta sua atuação no aprendizado e na abertura de espaços para os movimentos populares na Casa do Povo. Além disso, buscou fazer de seu mandato “uma ferramenta de implementação das políticas públicas, aí com um olhar especial para os programas e as políticas que foram realizadas pelo presidente Lula”, avalia.

Segundo ela, o objetivo central tem sido levar as reivindicações da população mais excluída, tanto do campo quanto da cidade e das favelas, para o centro do debate político estadual. “Um mandato de dentro para fora e de fora para dentro, norteado pelo fortalecimento dos movimentos sociais e populares, de lutas do campo e da cidade, mas em especial das favelas, fortalecendo a luta das mulheres, das mulheres pretas em especial, fazendo com que a política pública chegue nos territórios”, relata.

Além disso, outro compromisso é fazer frente à extrema direita, bastante representativa no legislativo do Rio de Janeiro. “Fizemos o enfrentamento direto com a extrema direita, esse grupo que representa o ex-governador Claudio Castro, que foi afastado aqui. Nós conseguimos fazer um enfrentamento direto a esse projeto, que é super nefasto para toda a população do estado do Rio”, afirma ao BdF Entrevista.

A parlamentar descreve a Alerj como a casa “mais complicada de todo o país”, citando o forte conservadorismo e as conexões entre a política e o crime organizado que marcam a história recente do estado. “Nós temos três deputados estaduais da Alerj presos, começando com o presidente da Casa [Rodrigo Bacellar] no ano passado, que, com um trabalho que a Polícia Federal fez junto com o Ministério Público, desvelou para o Rio de Janeiro e o Brasil esses grandes problemas, contradições e crimes, de fato, de ligação de parlamentares com o crime organizado aqui no Rio de Janeiro”, cita.

No campo da reforma agrária, Marina do MST conta que o Rio de Janeiro é o estado mais urbanizado do país e, por essa razão, a questão acaba, por vezes, invisibilizada. “Essa invisibilidade traz também uma inviabilidade para as políticas de desenvolvimento desses temas”, explica.

A parlamentar comenta sobre o problema da regularização fundiária, mesmo de assentamentos feitos há décadas, como o de Campo Alegre, que remonta à gestão Leonel Brizola. “Ele fica aqui na Baixada Fluminense, que estava há 42 anos num processo de luta, de resistência, e nesse processo de resistência também, de produção de alimentos. Ele foi regularizado há apenas três meses”, conta.

Marina destaca que o MST celebra 30 anos de luta no Rio este ano e destaca avanços históricos, como o recente assentamento de 185 famílias nas terras da antiga Usina Cambaíba, local utilizado para incinerar corpos de mortos durante a ditadura militar. “Essas famílias estão hoje produzindo alimentos saudáveis e fazendo um trabalho cooperativado, por meio de associações, de cooperativas. Elas não são só uma conquista dessas 185 famílias, elas são uma conquista do conjunto da sociedade fluminense e brasileira, elas são uma reparação à democracia do Brasil”, avalia a deputada.

Além da pauta agrária, ela elenca como prioridades futuras a luta pelo fim da escala 6×1, a defesa da vida das mulheres e o enfrentamento à crise climática.

Confira a entrevista completa abaixo:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Fonte
Brasil de Fato
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