Segundo um informe do Departamento de Segurança Interna (DHS) difundido na imprensa estadunidense neste domingo (09), o número de migrantes detidos pelas autoridades do país atingiu no mês de julho o seu maior nível durante o atual mandato de Donald Trump – iniciado em janeiro de 2025.
O relatório indica que houve aproximadamente 50 mil detenções no período, superando os pouco mais de 43 mil registrados em junho, que já configuravam um recorde até então.
O crescimento das cifras sugere um aumento no número de operações realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, por sua sigla em inglês) justamente durante o período em que os Estados Unidos foram a principal das três sedes da Copa do Mundo, torneio organizado pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA).
O relatório, no entanto, alega que não foi o evento esportivo que levou ao aumento no número de operações e detenções, e sim outros fatores, como “o incremento no orçamento para recrutamento e treinamento de agentes” e “uma mudança de estratégia que privilegia operações mais discretas e descentralizadas”.
Questionamentos
As denúncias sobre os problemas dos Estados Unidos com relação à política migratória incluem os possíveis abusos durante os mandatos de Trump, mas também nas gestões de seus antecessores, Barack Obama (2009–2017) e Joe Biden (2021–2025).
Também foram divulgados pela imprensa local, nos últimos dias, os resultados de um estudo da Universidade do Colorado, revelando que 66% das pessoas presas pelo ICE desde janeiro de 2015 – antes de Trump assumir seu primeiro mandato como presidente, em janeiro de 2017 –, não tinham antecedentes criminais ou condenações na Justiça.
O estudo também informa que, no período, houve 30 incidentes nos quais agentes do ICE atiraram em civis, resultando em oito mortes. Ademais, 55 pessoas morreram enquanto estavam sob custódia em centros de detenção do ICE – entretanto, 22 desses casos ocorreram em 2016, antes do líder republicano chegar pela primeira vez à Casa Branca.
Esse estudo levou o Alto Comissário para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Türk, a pedir formalmente às autoridades norte-americanas a realização de uma investigação independente sobre as mortes e outras violações aos direitos humanos causadas pelo ICE nos Estados Unidos.
