Segundo a mídia norte-americana, a unidade republicana em torno de Pete Hegseth, construída desde sua apertada confirmação no Senado, começa a se desfazer diante da pressão de Donald Trump por um orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão (aproximadamente R$ 8,46 trilhões).
O plano, considerado a joia da coroa da agenda do chefe do Pentágono, não avançou antes do recesso de verão (Hemisfério Norte), apesar das visitas frequentes de Hegseth ao Capitólio.
O impasse expõe a resistência de senadores republicanos, que questionam por que deveriam assumir riscos políticos às vésperas das eleições de meio de mandato. A proposta depende de múltiplos projetos de reconciliação — mecanismo que permite ignorar democratas — para liberar US$ 350 bilhões (cerca de R$ 1,97 trilhão) do aumento, algo que muitos consideram inviável.
Ainda segundo a apuração, embora parte do partido apoie mais gastos militares, líderes como Susan Collins e Mitch McConnell demonstram ceticismo, alertando para o excesso de poder concedido à Casa Branca enquanto Jerry Moran, defensor da defesa, afirma não ver caminho para aprovar o orçamento histórico.
Hegseth, apesar das controvérsias envolvendo operações no Irã, ações na América Latina e uso do Signal para tratar de temas sensíveis, manteve apoio republicano e recebeu elogios públicos de Trump, que destaca avanços como o fim de programas de diversidade e o aumento do recrutamento.
O Pentágono, no entanto, já obteve vitórias importantes, como o aumento de US$ 150 bilhões (mais de R$ 846 bilhões) no orçamento via One Big Beautiful Bill Act e medidas para renomear o Departamento de Defesa e reduzir iniciativas de inclusão. Agora, porém, busca dezenas de bilhões adicionais, incluindo US$ 60 bilhões (cerca de R$ 338 bilhões) para a guerra com o Irã, proposta que travou no Senado.
A estratégia de reconciliação, se aprovada, marcaria mais duas tentativas de impor prioridades de Trump sem apoio democrata. Mas republicanos temem custos eleitorais e democratas prometem resistência, criticando a falta de transparência do Pentágono sobre operações e gastos, destacou a mídia.
O cenário revela tensões internas no Partido Republicano e incertezas sobre a capacidade de Hegseth de aprovar seu ambicioso plano. Como resume o senador Richard Blumenthal, o governo terá dificuldade para justificar US$ 1,5 trilhão sem fornecer informações detalhadas ao Congresso.


