Poluição sonora de veículos aumenta risco de doenças de Alzheimer e Parkinson

به قلم Frederico Gomes*12/08/2026 às 14:490 بازدید
Imagem de vias congestionadas por centenas de veículos, que se espalham, ocupando todos os espaços, por um complexo viário típico de uma cidade grande como São Paulo
Imagem de vias congestionadas por centenas de veículos, que se espalham, ocupando todos os espaços, por um complexo viário típico de uma cidade grande como São Paulo
Jornal da USP
🎙 Frederico Gomes* · Jornal da USP

Exposição crônica a ruídos de carros, ônibus e trens pode afetar regiões do cérebro relacionadas à memória e às emoções

 Publicado: 12/08/2026 às 11:49
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Poluição sonora aliada à poluição atmosférica é uma combinação perigosa ao cérebro de quem mora nas cidades –
Poluição sonora aliada à poluição atmosférica é uma combinação perigosa ao cérebro de quem mora nas cidades – — Paulo Pinto/Agência Brasil
Poluição sonora aliada à poluição atmosférica é uma combinação perigosa ao cérebro de quem mora nas cidades – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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Ruídos provenientes de meios de transporte, como carros, ônibus e trens, estão associados a um maior risco de doenças neurológicas. Pesquisadores dinamarqueses estudaram a exposição prolongada a esse tipo de barulho e identificaram uma relação com o aumento do risco das doenças de Alzheimer e de Parkinson.

No Brasil, onde, segundo dados do IBGE, 87,4% da população vive em áreas urbanas, escapar da poluição sonora é impossível para muitas pessoas, principalmente em cidades como São Paulo. Idosos, que já apresentam maior predisposição a essas doenças, e pessoas que vivem próximas a rodovias ou ferrovias estão entre as mais expostas.

Os efeitos no cérebro

Sonia Brucki –
Sonia Brucki – — Lattes
Sonia Brucki – Foto: Lattes

A exposição crônica à poluição sonora pode afetar diferentes regiões do cérebro. No caso da doença de Alzheimer, entre as áreas envolvidas estão os lobos temporais, relacionados à formação de memórias, e o córtex pré-frontal, responsável por funções como a tomada de decisões, como explica Sonia Brucki, professora da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Outro possível efeito é a desregulação de substâncias produzidas naturalmente pelo organismo. Alterações na amígdala cerebral, que a neurologista descreve como responsável pela regulação das emoções, podem interferir na produção e no funcionamento de neurotransmissores como a dopamina. Segundo a professora, alterações nesse sistema podem prejudicar funções relacionadas à aprendizagem, à memória e ao controle motor, mecanismos envolvidos em doenças neurodegenerativas como o Parkinson.

Também é importante nesse processo o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável, entre outras funções, pela regulação da produção de cortisol. “Essas vias neuroendócrinas estão associadas a estados de ansiedade, que também pioram o aprendizado e o comprometimento da memória”, explica Sonia.

As consequências também podem estar relacionadas ao acúmulo das proteínas tau e beta-amiloide no cérebro. Quando essas proteínas se acumulam de forma anormal, estão associadas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O combate ao barulho

A poluição sonora também está relacionada à poluição atmosférica produzida por motores a combustão, que, por sua vez, também pode aumentar o risco de demência. Por isso, a presença de árvores pode contribuir para reduzir os efeitos da poluição sonora. Além da importância ambiental, elas “bloqueiam a passagem do som”, comenta a professora.

Também é importante garantir que, durante a noite, os níveis de ruído sejam adequados para favorecer um sono de qualidade. A neurologista destaca os ruídos provocados por caminhões e obras, que podem levar à “fragmentação ou privação crônica de sono, que impactam a retirada de substâncias anômalas do cérebro que ocorrem durante o sono”.

Nesse contexto, medidas de isolamento acústico nas residências podem contribuir para reduzir a exposição aos ruídos e preservar a qualidade do sono.

*Sob supervisão de Marcia Avanza


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