Variações climáticas e eventos extremos aumentam riscos à saúde pública em Ribeirão Preto

Por Mel Rodrigues*12/08/2026 às 12:000 visualizações
Fotografia ao ar livre mostrando uma grande árvore arrancada pela raiz, caída na lateral de uma rua de asfalto. As raízes expostas ficam em primeiro plano à esquerda. À esquerda, ao fundo, um trabalhador vestindo camiseta laranja e capacete verde caminha de costas para longe da árvore.Fotografia ao ar livre mostrando uma grande árvore arrancada pela raiz, caída na lateral de uma rua de asfalto. As raízes expostas ficam em primeiro plano à esquerda. À esquerda, ao fundo, um trabalhador vestindo camiseta laranja e capacete verde caminha de costas para longe da árvore.Fotografia ao ar livre mostrando uma grande árvore arrancada pela raiz, caída na lateral de uma rua de asfalto. As raízes expostas ficam em primeiro plano à esquerda. À esquerda, ao fundo, um trabalhador vestindo camiseta laranja e capacete verde caminha de costas para longe da árvore.
Fotografia ao ar livre mostrando uma grande árvore arrancada pela raiz, caída na lateral de uma rua de asfalto. As raízes expostas ficam em primeiro plano à esquerda. À esquerda, ao fundo, um trabalhador vestindo camiseta laranja e capacete verde caminha de costas para longe da árvore.Fotografia ao ar livre mostrando uma grande árvore arrancada pela raiz, caída na lateral de uma rua de asfalto. As raízes expostas ficam em primeiro plano à esquerda. À esquerda, ao fundo, um trabalhador vestindo camiseta laranja e capacete verde caminha de costas para longe da árvore.Fotografia ao ar livre mostrando uma grande árvore arrancada pela raiz, caída na lateral de uma rua de asfalto. As raízes expostas ficam em primeiro plano à esquerda. À esquerda, ao fundo, um trabalhador vestindo camiseta laranja e capacete verde caminha de costas para longe da árvore.
Foto: GAION / Jornal da USP
🎙 Mel Rodrigues* · Jornal da USP

Especialista da USP aponta como calor intenso, queimadas e desigualdades urbanas afetam a biologia da região e defende a criação de um plano municipal de adaptação climática

 Publicado: 12/08/2026 às 9:00
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Eventos climáticos extremos provocam queda de árvores e acendem alerta para os riscos à saúde e à segurança pública em Ribeirão Preto –
Eventos climáticos extremos provocam queda de árvores e acendem alerta para os riscos à saúde e à segurança pública em Ribeirão Preto – — Pexels/Rodolfo Gaion
Eventos climáticos extremos provocam queda de árvores e acendem alerta para os riscos à saúde e à segurança pública em Ribeirão Preto – Foto: Pexels/Rodolfo Gaion
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A proliferação de doenças transmitidas por mosquitos, o aumento de crises respiratórias na seca e a sobrecarga nos atendimentos médicos mostram que a crise climática é um risco iminente para a rotina de Ribeirão Preto. Impulsionados pelas variações do El Niño, os episódios de extremo calor, chuvas intensas e queimadas deixam de ser apenas um debate ambiental e se tornam uma ameaça real à saúde pública dos moradores do município. O cenário acende um sinal de alerta para a urgência de preparar a infraestrutura da cidade e adaptar os cuidados no dia a dia.

Ana Paula Morais Fernandes –
Ana Paula Morais Fernandes – — Lattes
Ana Paula Morais Fernandes – Foto: Lattes

A questão climática em Ribeirão Preto deixou de ser um debate sobre conforto térmico e passou a interferir diariamente na biologia e na saúde da região. Com a rotina dividida entre os extremos da seca severa e das tempestades intensas, o organismo humano e a proliferação de vetores sofrem impactos diretos. Enquanto a fumaça e a baixa umidade atacam as vias respiratórias ao danificar as defesas naturais do corpo, o excesso de chuva e calor cria o cenário ideal para vírus e mosquitos.

A dimensão desse impacto é detalhada por Ana Paula Morais Fernandes, especialista em Imunologia e Doenças Infecciosas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP: “As alterações climáticas também afetam a circulação de microrganismos. O calor e as mudanças nas chuvas podem modificar os locais de reprodução dos mosquitos e acelerar algumas etapas do desenvolvimento dos vírus dentro desses vetores. Chuvas intensas e enchentes podem contaminar a água com vírus, bactérias e parasitas provenientes do esgoto”.

Impacto na rede de saúde e sintomas de alerta

No sistema de saúde pública, essa variação do clima se reflete no aumento contínuo da demanda médica. Em dias de calor e ar seco, o corpo humano precisa trabalhar no limite para regular a temperatura, o que provoca não só quedas súbitas de pressão, mas também descompensações graves de doenças já existentes. A situação atinge com mais força os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, portadores de doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol. Durante os picos de calor, o ressecamento das vias aéreas e a desidratação se tornam gatilhos frequentes para complicações de saúde.       

Segundo a especialista, é fundamental que a população e as equipes médicas fiquem atentas aos sintomas que indicam a necessidade de socorro imediato: “Durante períodos de calor intenso, pode aumentar a procura por atendimento em razão da desidratação, tontura, queda de pressão, fraqueza, dor de cabeça, confusão mental, desmaios e insolação. Também pode ocorrer descompensação de doenças cardíacas, respiratórias, renais e metabólicas (…) Confusão mental, desmaio, pele muito quente, fraqueza intensa, falta de ar e dor no peito, exigem atendimento imediato”.

Desigualdade urbana e ilhas de calor

A forma como a crise climática afeta a saúde dos moradores de Ribeirão Preto está diretamente ligada ao mapa da cidade. A falta de planejamento urbano e as desigualdades sociais fazem com que o calor e as doenças não se distribuam de forma homogênea: bairros periféricos e regiões com pouca arborização sofrem com o fenômeno das ilhas de calor, onde o asfalto e o concreto retêm altas temperaturas, inclusive durante a madrugada.

Ana Paula reforça como os elementos da estrutura urbana atuam diretamente como determinantes de saúde na rotina do município: “A arborização, áreas verdes, drenagem, saneamento, coleta de resíduos, acesso à água e qualidade de moradias influenciam diretamente a exposição ao calor, aos poluentes e aos microrganismos. Bairros com pouca vegetação e muito concreto formam ilhas de calor e permanecem mais quentes, inclusive durante a noite”.

Para entender como a cidade lida com todas as questões de crise climática, da prevenção ao atendimento emergencial, se há política públicas municipais definidas para o enfrentamento de situações extremas e que garantam a segurança da população e da infraestrutura urbana, procuramos a Prefeitura de Ribeirão Preto que até o momento não se manifestou. O espaço continua aberto e será atualizado caso haja retorno.

*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior


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