Na coluna veiculada hoje, dia 12 de agosto, Pedro Dallari fala sobre o processo de escolha do novo secretário ou da nova secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Dallari explica que a escolha é feita pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral da ONU. O mandato é de cinco anos, com possibilidade de prorrogação por igual período, com início em 1º de janeiro de 2027. Em 31 de dezembro deste ano, o segundo mandato do português António Guterres, que exerceu a titularidade da Secretaria Geral nos últimos dez anos, se encerrará.
“A escolha é bastante complexa, é um processo político importante, que começa com a possibilidade de indicação de candidatas e candidatos pelos 193 países-membros da ONU. Destaca-se na lista de indicados, que não é longa, por exemplo, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que tem o apoio do Brasil”, explica.
Segundo o professor, critérios políticos são levados em conta nesse processo. “Um deles é o critério regional, observando-se um revezamento de regiões, pelo qual seria agora o momento de um secretário-geral ou uma secretária-geral da América Latina ou do Caribe, região que deveria ou deverá ser privilegiada nessa escolha. Há outro critério, que surgiu nos últimos anos, que é a de escolha preferencialmente de uma mulher, já que esta função de secretário ou secretária-geral da ONU nunca foi ocupada por uma mulher”, considera.
“Esta tese, inclusive, tem entre suas defensoras importantes a ex-ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, que esteve na USP, em 2023, como titular da Cátedra José Bonifácio, quando, então, conduziu uma pesquisa justamente sobre o tema da perspectiva feminista para a governança global. Nesse contexto, tem-se destacado como favorita a economista e ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, que foi secretária-geral da Secretaria Geral Ibero-Americana”, avalia.
O favoritismo de Rebeca foi apurado em uma votação preliminar, ainda de caráter consultivo e indicativo, feita no último dia 30 de julho, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Ela foi a mais votada, com dez dos 15 votos favoráveis a ela e nenhum voto contrário, o que a torna uma candidata com algum favoritismo, embora o processo ainda se prolongará, pelo menos, até o mês de outubro”, diz.
Dallari ressalta que Rebeca tem histórico de colaboração com a USP: “No período em que foi secretária-geral da Secretaria Geral Ibero-Americana, entre 2014 e 2021, ela manteve intenso relacionamento com o Centro Ibero-Americano da USP e é autora de artigos em três volumes da coleção da Cátedra José Bonifácio nos livros coordenados por Laura Chinchilla, em 2019; Enrique Garcia, em 2020; e a já mencionada Susana Malcorra, em 2023. Trata-se de uma função da governança internacional muito importante e a perspectiva de ter alguém com um histórico de relacionamento com a USP é algo que devemos acompanhar com bastante interesse e atenção”.
Globalização e Cidadania
Com o Prof. Pedro Dallari
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.





