Por José Heleno Ferreira
O Brasil ostenta, há muitos anos, o título de país que mais mata travestis e pessoas trans. Pessoas LGBTQIAPN+ continuam sendo vítimas constantes de violência e, nestas tristes estatísticas, Minas Gerais tem se destacado.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no dia 23 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela um aumento de 55% de assassinatos de pessoas LGBTQIAPN+ do ano de 2024 para 2025 no estado. Com isso, Minas tornou-se o estado com o maior número de homicídios contra pessoas homoafetivas no território nacional.
Neste triste ranking, chama atenção o ritmo do crescimento da violência no estado – maior ainda do que em Pernambuco, Ceará e Bahia, os outros três estados brasileiros que figuram entre aqueles que mais matam gays, lésbicas, pessoas trans e travestis.
Mas as más notícias trazidas pelo 20º Anuário não param por aí. Entre 2024 e 2025, em Minas Gerais, houve um crescimento de 23,3% das agressões físicas contra pessoas homoafetivas.
Educar para a diversidade, contra a violência
Uma sociedade que mata as pessoas simplesmente por elas serem quem são está atestando o seu fracasso. A realidade que os dados nos mostram precisa ser enfrentada.
Há que se construir políticas públicas que garantam a segurança de todos os cidadãos e cidadãs, especialmente os grupos mais expostos à violência: mulheres, pessoas em situação de rua, população LGBTQIAPN+, pessoas em privação de liberdade, povos originários, pessoas negras e periféricas.
A violência contra os grupos em situação de vulnerabilidade tem um componente econômico e classista: é a forma como se torna explícito que, numa sociedade capitalista, alguns grupos têm valor, outros, não.
E faz-se necessário também investir na educação para a diversidade. Um processo educativo que perpasse os currículos escolares e todas as esferas da sociedade.
É isso que os movimentos sociais e populares têm nos ensinado. O ódio àqueles e àquelas que destoam da lógica do capital é alimentado diariamente como forma de manutenção de um mundo em que algumas pessoas são condenadas à morte para que outras mantenham seus privilégios.
A violência contra pessoas LGBTQIAPN+ está vinculada à violência contra todos os grupos socialmente minorizados. Exatamente por isso uma educação antirracista, antimachista e antiLGBTfóbica é necessária para o enfrentamento da barbárie que o neoliberalismo busca impor a todos os povos.
Educar para a diversidade é educar em direitos humanos!
José Heleno Ferreira é doutor em Educação (PUC MG), coordenador da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Coord. Minas Gerais. Email: [email protected]
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Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no Brasil de Fato.
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Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.
