Aproximação sino-russa gera temor no Norte Global, que opta por mais tensão em vez de diplomacia

12/08/2026 às 22:301 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez uma série de declarações nesta quarta-feira (12) sobre sinalizações de possíveis apreensões e sequestro de navios comerciais russos, as quais classificou como "pirataria".
"Vemos que as autoridades de alguns países, violando o direito marítimo internacional, tentam restringir a navegação dos navios de nossas empresas de exploração econômica. De forma pacífica, ressalto. E, recentemente, chegaram ao ponto de cogitar a possibilidade de apreender nossos navios e vender os bens que nos foram roubados. É claro que isso nada mais é do que pirataria e hostilidade."
O líder do Kremlin também comentou sobre a inclusão de Moscou na lista de principais ameaças do Japão, ato no qual Putin não vê sentido.
"Gostaria de ressaltar que não estamos ameaçando o Japão, não temos absolutamente nenhuma reivindicação contra eles."
Putin observou nesta quarta-feira a etapa final dos exercícios da Frota do Pacífico a bordo do cruzador de mísseis Varyag. Participaram da ação cerca de 60 navios, submarinos e embarcações de apoio, por volta de 30 aeronaves, helicópteros e drones, além de mais de 13 mil militares. Eles atuaram nas águas do mar do Japão, do mar de Okhotsk e na parte noroeste do oceano Pacífico.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Ricardo Cabral, doutor em história e relações internacionais, especialista em história militar e conflitos contemporâneos, disse acreditar que a movimentação recente contra a Rússia, tanto sobre seus navios comerciais quanto o Kremlin na lista de principais ameaças do Japão, se dá pela cada vez maior aproximação entre Moscou e Pequim.
De acordo com Cabral, a China assumiu o espaço deixado pelo Ocidente ao iniciar as rodadas de sanções à Rússia, em 2022. O especialista enxerga muita sinergia entre os dois países e acredita que a tendência é que essa cooperação cresça ainda mais ao longo dos próximos anos.

Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5

O Ocidente, por sua vez, tenta responder a essa parceria de diferentes formas, sendo uma delas aumentar a pressão militar na região do Pacífico asiático, onde Rússia e Japão fazem fronteira marítima. Cabral ressalta que Tóquio tem investido mais a cada ano em defesa, solicitando um orçamento militar de US$ 56 bilhões (R$ 290,88) para 2027.
"O orçamento japonês é o quarto maior [do mundo] sem a gente identificar efetivamente ameaças ao Japão. É claro, eles identificaram a Rússia como ameaça por questões de uma maior cooperação militar com os chineses, tem também a questão norte-coreana. Ou seja, nesse momento, Tóquio é um governo mais nacionalista e tende a enxergar ameaças."
Para Cabral, o Japão, assim como o Ocidente, peca em não tentar resolver questões com a Rússia de maneira diplomática.
Na visão do especialista, Putin está certo ao classificar como pirataria as ameaças de apreensão e bloqueios marítimos em águas internacionais de navios russos.
Imagem do artigo
Panorama internacional
Como a Rússia passou a fabricar sua própria aeronave apesar das sanções? Analista explica (VÍDEOS)
O analista militar entende que o líder russo tem direito de começar a realizar comboios de embarcações escoltadas por navios militares, o que representaria uma escalada das tensões entre Moscou e Ocidente.
"[Bloqueio marítimo] é um problema, acredito, muito maior para o Ocidente do que para os próprios russos, que têm várias maneiras de passar com a sua esquadra, até porque é do interesse do Ocidente o petróleo, o gás, o urânio, fertilizantes, grãos [russos] que são levados por esses navios para os portos ocidentais europeus."
Cabral destaca que o discurso europeu russófobo, capitaneado por membros da União Europeia, como Ursula von der Leyen, não condiz com as ações de nações como a Alemanha e o Reino Unido, que continuam tendo relações comerciais indiretas com a Rússia, apesar de publicamente atacarem Moscou e defenderem sanções.
"A decadência econômica europeia está intimamente ligada à crise energética. A crise energética é porque os russos forneciam energia barata e os europeus, de uma forma insana, cortaram esse suprimento em vez de buscar diplomacia para resolver as questões que poderiam, que aliás já estavam encaminhadas para serem resolvidas na diplomacia."

Expansão da OTAN para o Pacífico deixa uma guerra 'cada dia mais perto'

Em entrevista à Rádio Sputnik Brasil, o historiador Bernardo Kocher afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ao começar a navegar em outros mares, como o Pacífico, se prepara para uma guerra contra a Rússia e a China.
Para o historiador, esta ação da aliança atlântica tem potencial para iniciar uma "guerra generalizada". Mais cedo, Putin alertou contra os planos do Ocidente de posicionar novas armas na região.
"Espero que alguma solução política se coloque entre essa busca desesperada no capitalismo europeu e norte-americano por enfrentar a competição chinesa e russa. [...] Do jeito que está — eu, pelo menos, sou pessimista —, a guerra está chegando cada dia mais perto da gente."

'Japão sempre foi um país sem autonomia'

O comandante Robinson Farinazzo, especialista militar e oficial da reserva da Marinha do Brasil, afirmou à Rádio Sputnik Brasil que "o Japão sempre foi um país sem autonomia" e que, desde a Segunda Guerra Mundial, está sob o "tacão" dos Estados Unidos.
Para o analista, o governo de Tóquio enfrenta uma "fragilidade estratégica muito grande", uma vez que o arquipélago japonês é carente de recursos vitais para o funcionamento do país, como combustíveis e minerais.
"O Japão é um país sem recursos naturais. Ele tem zero de recursos naturais. Então ele depende de importação de petróleo, de minério de ferro, de alimentos, do que vocês pensarem."
Imagem do artigo
Imagem do artigo
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Fonte
Sputnik Brasil
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.