Um levantamento feito pelo Brasil de Fato dos bens declarados à Justiça Eleitoral revela que o seleto grupo dos dez candidatos a governador mais ricos soma um patrimônio impressionante de mais de R$ 1 bilhão (R$ 1.049.988.425,10). Do outro lado da balança, 38 postulantes entram na corrida sem possuir sequer um centavo em bens declarados.
O topo da lista dos milionários reflete a concentração de poder econômico, de gênero e de raça no topo da política nacional. Entre os dez maiores patrimônios, oito são de candidatos brancos e apenas dois são negros (declarados pardos). A disparidade de gênero é ainda mais alarmante: há apenas uma mulher entre os dez mais ricos, Maria do Carmo (PL-AM), com R$ 118,4 milhões. Quando se amplia o recorte para os 50 mais ricos da disputa estadual, a presença feminina continua residual, somando apenas cinco candidatas.
No espectro ideológico, o topo da pirâmide é monopolizado por legendas de direita e centro-direita, com os candidatos concentrados em União Brasil (2), PL (2), Novo (2), Republicanos (1), MDB (1), Mobiliza (1) e PP (1).
O primeiro candidato de um partido progressista a figurar na lista é Felipe Camarão (PT), candidato ao governo do Maranhão, com um patrimônio declarado de R$ 5.208.193,72, valor 110,5 vezes menor que o do líder do ranking.
Meio bilhão
Quem encabeça a lista de riqueza é o empresário Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato ao governo do Mato Grosso. Homem e branco, Pivetta declara sozinho R$ 575.680.870,95, o que corresponde a mais da metade de todo o patrimônio somado dos dez mais ricos.
A segunda colocação fica com a única mulher do grupo, a empresária branca Maria do Carmo (PL), candidata no Amazonas, que declarou R$ 118.473.769,48. Logo em seguida vem o ex-prefeito de Salvador e empresário branco ACM Neto (União Brasil), concorrendo na Bahia com um patrimônio de R$ 84.888.809,63.
O quarto lugar é ocupado pelo engenheiro branco Wilder Morais (PL), candidato em Goiás, com R$ 65.160.903,35. Na quinta posição surge o primeiro dos dois candidatos negros (declarados pardos) do grupo: o empresário Ataídes Oliveira (Novo), dono do Grupo Araguaia e candidato no Tocantins, com R$ 54.458.902,00.
No Distrito Federal, o advogado branco Kiko Caputo (Novo) ocupa o sexto lugar, somando R$ 47.383.036,13. Ele é seguido por Hildon Chaves (União Brasil), candidato em Rondônia, segundo nome pardo do ranking, que declarou R$ 30.330.625,02 acumulados em sua trajetória como empresário.
Fechando a lista dos dez mais abastados estão o advogado branco Alexandre Salomão (Mobiliza), no Paraná, com R$ 27.695.000,00; Ricardo Ferraço (MDB), candidato no Espírito Santo, homem branco com R$ 27.668.789,55 em bens; e Eduardo Riedel (PP), candidato no Mato Grosso do Sul, também homem e branco, com patrimônio de R$ 16.147.849,34.
Patrimônio zero
Ao todo, a disputa pelos governos estaduais conta com 191 candidatos. Destes, 38 afirmaram à Justiça Eleitoral não possuir nenhum patrimônio.
A ausência de bens declarados concentra-se principalmente em partidos de esquerda anticapitalista e de quadros populares, que denunciam o caráter elitista e de alto custo das campanhas eleitorais brasileiras. Do total de 38 postulantes com “patrimônio zero”, 13 pertencem ao Partido Causa Operária (PCO).
O abismo entre meio bilhão de reais na mão de um único candidato e dezenas de concorrentes sem bens acumulados evidencia como o poder econômico continua sendo um filtro determinante na ocupação dos espaços de poder no Brasil, favorecendo elites empresariais, brancas e conservadoras em detrimento da diversidade da população.
