Machismo impacta circulação de HQs produzidas por mulheres

Por Marcos Santos17/08/2026 às 19:050 visualizações
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Jornal da USP

Encontro em São Paulo, no próximo dia 19, vai debater a produção de quadrinhos feministas no mundo árabe e na América Latina

 Publicado: 17/08/2026 às 16:05
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Autora de pesquisa que estudou a produção feminina de HQs participará de evento no Cebrap no próximo dia 19 –
Autora de pesquisa que estudou a produção feminina de HQs participará de evento no Cebrap no próximo dia 19 – — Arquivo pessoal
Autora de pesquisa que estudou a produção feminina de HQs participará de evento no Cebrap no próximo dia 19 – Foto: Arquivo pessoal

 

Analisar os impactos do machismo na crítica, na circulação e na recepção das histórias em quadrinhos produzidas ou protagonizadas por mulheres. Esse é o tema da palestra que Daniela Marino, autora da tese de doutorado Crítica cultural a partir de uma perspectiva de gênero: representações sociais e processos de legitimação no campo da produção feminina de histórias em quadrinhos, vai proferir no evento internacional Pinceladas que se cruzam: Conversatório sobre quadrinhos feministas no mundo árabe e na América Latina”, que acontecerá no dia 19 de agosto, no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – Cebrap, em São Paulo.

A pesquisa foi apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, com orientação do professor Marco Antonio de Almeida.

Segundo Daniela, “na crítica de quadrinhos, esse machismo se manifesta pela ausência de críticas e resenhas sobre trabalhos produzidos por mulheres, caracterizando um silenciamento; por análises depreciativas ou que reduzem essas produções a estereótipos de gênero; ou, mesmo quando são positivas e elogiosas, os críticos só conseguem fazê-las por meio da comparação constante com os trabalhos de homens, como se uma mulher só pudesse ser avaliada positivamente se seu trabalho se aproximasse de artistas homens”.

Como a maioria das quadrinistas produz de forma independente e por meio de financiamento coletivo, a crítica, ou a falta dela, impactam o acesso, circulação e recepção de seus quadrinhos. Pensando nisso, a pesquisadora desenvolveu uma tabela com 20 critérios para superar o olhar masculino de grande parte dos críticos. A tabela apresenta critérios para análises de quadrinhos que possibilitem leituras que favoreçam a inclusão da diversidade de gênero.

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“A partir de alguns critérios que já haviam sido sugeridos por outros teóricos e a adição de mais alguns que criei, a partir dos anos de experiência como jurada de prêmios de quadrinhos, eu proponho que, mesmo alguém sem letramento de gênero, se usar essa tabela de 20 critérios conseguirá ter um olhar menos enviesado e mais inclusivo em relação às mulheres, como uma forma de superar o olhar masculino que atravessa grande parte dos críticos”, comenta a pesquisadora.

Daniela entende que a tabela sozinha não elimina totalmente a parcialidade que atravessa os avaliadores e defende ações contínuas de conscientização sobre diversidade em diversos âmbitos sociais.

“Entendo que a tabela sozinha não resolve todos os problemas. Mas graças à minha atuação aplicando esses critérios, participando de eventos falando sobre eles e especialmente por minha ação junto à jornalista Gabriela Borges, idealizadora da Mina de HQ, o número de mulheres indicadas, premiadas ou que têm sido aprovadas em editais cresceu significativamente nos últimos anos. O Mina de HQ é o único site brasileiro dedicado a quadrinhos feitos por pessoas trans, não binárias e mulheres cis”, descreve  a pesquisadora.

Quadrinhos e gênero

O encontro Pinceladas que se cruzam: Conversatorio sobre quadrinhos feministas no mundo árabe e na América Latina é organizado por Jasmin Wrobel, do Maria Sibylla Merian Centre Conviviality-Inequality in Latin America (MECILA), doutora em Estudos Latino-Americanos pela Freie Universität Berlin, Alemanha, e Rasha Chatta, pesquisadora de estudos literários e culturais comparados do Centro Merian de Estudos Avançados no Magreb – MECAM, que é um centro de pesquisa interdisciplinar e intercâmbio acadêmico com sede em Túnis, na Tunísia.

O MECILA é um consórcio acadêmico composto de três instituições alemãs: Freie Universität Berlin (coordenação), Universität zu Köln, Ibero-Amerikanisches Institut (Stiftung Preußischer Kulturbesitz); e em quatro instituições latino-americanas: Universidade de São Paulo, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, El Colegio de México e Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales (Conicet / Universidad Nacional de La Plata).  O centro tem como objetivo desenvolver pesquisas de ponta pela cooperação interdisciplinar horizontal entre pesquisadoras/es da Alemanha, América Latina, Caribe e outras regiões do mundo.

O MECAM, Centro Merian de Estudos Avançados no Magreb, foi fundado em abril de 2020 como um centro internacional de pesquisa interdisciplinar e intercâmbio acadêmico. O projeto é sediado na Universidade de Túnis, na Tunísia, e planeja desenvolver filiais em Casablanca, no Marrocos, e em Beirute, no Líbano. O MECAM é um projeto conjunto iniciado por um consórcio de renomadas instituições de pesquisa tunisianas e alemãs. É coordenado pela Universidade de Marburg e pela Université de Tunis e apoiado pela Universität Leipzig, Instituto Alemão de Estudos Globais e de Área (GIGA) em Hamburgo, Alemanha; Fórum Transregionale Studien em Berlim, Alemanha; Institut Tunisien des Études Stratégiques (ITES) em Túnis, Tunísia, e Université de Sfax, Tunísia.

O seminário propõe pensar os quadrinhos como espaços de produção de conhecimento capazes de desafiar perspectivas hegemônicas e fortalecer diálogos Sul–Sul. As discussões abordarão como artistas feministas mobilizam os quadrinhos para refletir sobre gênero, colonialidade, mobilidade, memória e justiça social, criando novas linguagens visuais e imaginários políticos. Também discutido o papel crescente das plataformas digitais e das redes sociais, que têm ampliado a circulação dessas produções, favorecido a formação de comunidades transnacionais e aberto novos espaços para a colaboração feminista e o engajamento público.

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Foto: Divulgação

O evento será realizado no dia 19 de agosto de 2026, das 10 às 17 horas, no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – Cebrap, na Rua Morgado de Mateus, 615, na Vila Mariana, em São Paulo.

Serviço:

Pinceladas que se cruzam: Conversatório sobre quadrinhos feministas no mundo árabe e na América Latina

Dia: 19 de agosto de 2026

Horário: das 10h às 17h

Local: Cebrap, Rua Morgado de Mateus, 615, Vila Mariana, São Paulo

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