Destruição controlada surge como aposta realista para defesa da Terra, aponta estudo (IMAGENS)

18/08/2026 às 15:360 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Um asteroide grande o suficiente e próximo da Terra pode representar uma ameaça séria, já que mesmo rochas do tamanho de um campo de futebol seriam capazes de destruir cidades inteiras. Muitos desses objetos são escuros e difíceis de detectar, o que limita a capacidade de defesa e torna inviável imaginar soluções simples, como escudos espaciais.
Entre as alternativas estudadas, uma das mais discutidas envolve o uso de ogivas nucleares. Embora pareça ficção científica, simulações recentes indicam que a detonação de uma bomba de um megaton nas proximidades de um asteroide de 160 metros poderia funcionar como estratégia de mitigação. Testar isso na prática, porém, é inviável já que armas nucleares não estão disponíveis para experimentos e pousar espaçonaves em asteroides é extremamente complexo.
CC BY 4.0 / Isaiah B. Santistevan et al 2026 Planet. Sci. J. / Nuclear Mitigation of Hypothetical Asteroid (cropped image)Simulação de danos causados ​​por um asteroide 68 milissegundos após uma detonação nuclear a 10 metros (E) e 25 metros (D) acima da superfície. Surpreendentemente, a explosão mais distante produziu danos mais generalizados em um modelo do meteorito de Chelyabinsk
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Simulação de danos causados ​​por um asteroide 68 milissegundos após uma detonação nuclear a 10 metros (E) e 25 metros (D) acima da superfície. Surpreendentemente, a explosão mais distante produziu danos mais generalizados em um modelo do meteorito de Chelyabinsk
O novo estudo, porém, mostra que a bomba não precisa tocar o asteroide e que a detonação a alguns metros da superfície seria suficiente para liberar uma grande quantidade de raios X, responsáveis por aquecer, vaporizar e expulsar material da camada externa da rocha. Esse jato de material altera a velocidade do asteroide, funcionando como um impulso capaz de desviá-lo ou fragmentá-lo.
Além da ablação superficial, a energia dos raios X gera uma onda de choque interna que pode fraturar o asteroide. Para investigar esse efeito, os pesquisadores simularam três cenários em 3D usando a forma e a estrutura porosa de Bennu como referência, ajustando parâmetros como distância da explosão e resistência da rocha com base em meteoritos reais.
CC BY 4.0 / Isaiah B. Santistevan et al 2026 Planet. Sci. J. / Nuclear Mitigation of Hypothetical Asteroid (cropped image)Uma simulação mostrando os danos (E) e o movimento do material do asteroide 145 milissegundos após a detonação nuclear. O material em lados opostos da rocha está se movendo em direções opostas (D), sugerindo que o asteroide está se fragmentando
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Uma simulação mostrando os danos (E) e o movimento do material do asteroide 145 milissegundos após a detonação nuclear. O material em lados opostos da rocha está se movendo em direções opostas (D), sugerindo que o asteroide está se fragmentando
Na simulação mais intensa, com a bomba a dez metros da superfície, mais de 98% do asteroide foi danificado e quase todo o material ganhou velocidade superior à de escape, indicando fragmentação completa. Curiosamente, ao afastar a bomba para 25 metros, a área atingida pelos raios X aumentou e o dano se tornou ainda mais distribuído, sugerindo que a proximidade máxima nem sempre é a melhor estratégia.
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Apesar dos resultados promissores, as simulações exigiram enorme poder computacional e acompanharam apenas frações de segundo após a explosão. Não foi possível determinar o destino final dos fragmentos: eles podem se dispersar com segurança, permanecer grandes o suficiente para causar danos ou até se reagrupar gravitacionalmente.
Mesmo com essas incertezas, o estudo representa um avanço importante na avaliação da viabilidade de armas nucleares como última linha de defesa planetária, reforçando que estratégias de destruição controlada podem ser consideradas.
Os autores destacaram ainda que simulações de alta fidelidade são essenciais para expandir o entendimento sobre mitigação nuclear e preparar respostas de emergência.
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