O episódio começou quando o senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro, em sua live semanal no YouTube, na noite de quinta-feira (20), afirmou que a proporção de 32% de etanol na gasolina terá que ser revista em um eventual governo seu.
A fala foi uma resposta à mensagem de um apoiador, lida durante a transmissão, que reclamava da qualidade da gasolina: "Muito etanol e só prejuízo". "É verdade, é uma coisa que a gente vai ter que discutir aí, essa quantidade de etanol que tem dentro da gasolina", respondeu o candidato.
Na sequência, Flávio comparou o aumento do percentual de etanol à reduflação, citando exemplos como barras de chocolate que passaram de 200 para 160 gramas e rolos de papel higiênico que encolheram de 40 para 36 metros.
Em resposta às afirmações do senador, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia(UNICA), a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a Bioenergia Brasil, a FEPLANA Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), a União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) publicaram uma nota.
No documento, as entidades classificam a fala de Flávio Bolsonaro como desinformação e afirmam que ela desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações.
O texto destaca que o etanol é um combustível de alta octanagem produzido em mais de mil municípios brasileiros e associa a mistura a ganhos de desempenho, economia na bomba, geração de empregos e autossuficiência energética do país no ciclo Otto (motores a gasolina e etanol).
As entidades também defendem que a mistura vigente foi implementada com rigor técnico, sob condução do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em diálogo com o setor produtivo e a indústria automotiva. A conclusão apresentada pelo conjunto é de plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.


