Indígenas Kaingang iniciam retomada de território entre Porto Alegre e Viamão — Insubornavel

Indígenas Kaingang iniciam retomada de território entre Porto Alegre e Viamão

24/08/2026 às 20:441 visualizações
Famílias Kaingang iniciaram no sábado (22) a retomada Retánh Krã, que significa 'Filhos da Mata'
Famílias Kaingang iniciaram no sábado (22) a retomada Retánh Krã, que significa 'Filhos da Mata'
Brasil de Fato

Dezoito famílias Kaingang iniciaram no sábado (22) uma retomada de terrotório ancestral em uma área do Parque Natural Municipal Saint’Hilaire, entre Porto Alegre e Viamão. Batizada de Retánh Krã, expressão que significa “Filhos da Mata”, a nova aldeia é liderada por Wera Lúcia Kaninhka da Rosa.

No domingo (23), segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Prefeitura de Porto Alegre acionou a Justiça para retirar as famílias da área. Em decisão de plantão, porém, a Justiça Federal não concedeu a reintegração de posse imediata, por não considerar demonstradas urgência ou possibilidade de dano irreparável.

Segundo a Amigas da Terra Brasil (ATBr), que esteve na retomada no sábado, a iniciativa reafirma o território indígena como espaço de vida, memória, ancestralidade, biodiversidade e cultura. A organização manifestou solidariedade às famílias.

De acordo com o Cimi, lideranças da Retánh Krã afirmam que a iniciativa integra a luta histórica do povo Kaingang pela recuperação e proteção de territórios tradicionais. Para a comunidade, o território está ligado à manutenção da espiritualidade, da língua, dos conhecimentos tradicionais e dos vínculos entre as famílias.

As lideranças também relacionam a defesa dos territórios indígenas à preservação das florestas, das águas e da biodiversidade. Segundo o Cimi, a formação da aldeia busca garantir condições para a continuidade da cultura e dos modos de vida Kaingang.

Justiça nega retirada imediata

Segundo o Cimi, a Prefeitura de Porto Alegre alegou riscos ambientais ao pedir a reintegração de posse da área do Parque Natural Municipal Saint’Hilaire. O juiz federal Rafael Wolff, porém, considerou que não havia urgência ou dano irreparável que justificasse a retirada imediata das famílias antes da manifestação das partes envolvidas.

A decisão cita o Estatuto do Índio, a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Resolução nº 454/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelecem garantias de participação dos povos indígenas em processos que possam afetar direitos e modos de vida.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério Público Federal (MPF) e a comunidade Kaingang foram intimados a se manifestar em 48 horas, inclusive sobre a possibilidade de uma solução conciliada. A decisão não encerra a ação, mas impede, neste momento, a retirada imediata das famílias.

O Cimi Sul também manifestou apoio à Retánh Krã. Para a entidade, a luta pelo território está relacionada à defesa da vida, da dignidade e da memória ancestral dos povos indígenas.

Fonte
Brasil de Fato
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