Mídia alimenta picuinha política e esquece de cobrar políticas públicas para proteção animal em João Pessoa — Insubornavel

Mídia alimenta picuinha política e esquece de cobrar políticas públicas para proteção animal em João Pessoa

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بقلم Leitura Crítica da Mídia04/09/2026 às 14:123 مشاهدات
https://www.instagram.com/p/DcZ5k5PxUjp/
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Brasil de Fato

Enquanto apresentadores de programas de rádio estão preocupados em alimentar picuinhas políticas do vereador Guga Pet – o qual batizou um cachorro, que ele diz ter resgatado, com o nome do secretário do Meio Ambiente e do Cuidado e Proteção Animal da prefeitura de João Pessoa, Welison Silveira –, o número de animais abandonados nas ruas e que sofrem maus-tratos na capital e na Paraíba só aumenta.

No dia 1º de setembro, um casal em uma moto, no município de Paulista (PB), arrastou um cachorro por quilômetros pelas ruas da cidade. A agressão foi gravada e divulgada pela TV Cabo Branco, e as imagens mostravam um cachorro preso numa coleira, nitidamente cansado, exposto a um sol forte e com dificuldades para acompanhar o veículo. Apesar da prática de maus-tratos, o casal não ficou preso e, provavelmente, continua com o cachorrinho.

O perfil na plataforma digital Instagram da Ong SOS Animais e Plantas divulgou, no dia 23 de agosto, um vídeo que mostra dois cachorros abandonados na Avenida Cruz das Armas, em João Pessoa. Havia suspeita que um deles seria uma cadela prenha. Diversas solicitações de ajuda foram feitas nos comentários da postagem, inclusive por mim, pedindo para que os defensores da causa animal Guga Pet e Fabíola Rezende, os principais citados, fizessem algo para resgatar e cuidar daqueles cachorrinhos. Até hoje, não sei se alguma medida foi tomada pelos dois, que são candidatos na eleição deste ano a deputado federal e estadual, respectivamente.

Em meu comentário, chamei a atenção para a Secretaria de Cuidado e Proteção Animal (Secupa), da prefeitura de João pessoa, para que acolhesse e cuidasse dos dois animaizinhos. Mas não vi nenhuma resposta da gestão a isso. A Secupa foi criada pelo então prefeito Cícero Lucena em fevereiro de 2025, por meio da Lei 15.469, e o vereador Guga Pet foi designado como secretário da pasta.

A principal ação do ex-secretário era doar ração para alguns protetores, mesmo assim, sem licitação feita, as doações aconteciam de maneira esporádica, deixando os animais cuidados por protetores independentes à mercê da boa vontade do vereador, que segundo a sua assessoria, comprava com recursos próprios as sacas de ração. Alguns veterinários com quem conversei e os protetores que receberam a ração disseram que ela possui baixo valor nutricional e os protetores relataram problemas de pele em gatos e cachorros que comeram a ração doada pelo vereador. Esses relatos foram feitos para uma matéria que escrevi para o Brasil de Fato PB, em outubro de 2025 e pode ser acessada aqui.

Outro caso de abandono em João Pessoa aconteceu no bairro da Torre. Cinco cachorros foram retirados da casa de um senhor, morador da Avenida Julia Freire, pelo filho dele, após a sua morte. Os cachorros ficaram na rua, vulneráveis, sem comida, água, e correndo risco de serem atropelados ou envenenados. Moradores e moradoras do bairro, sensibilizados com a situação dos animais, pediram ajuda ao advogado Francisco Garcia, que atua há anos na defesa da causa animal. O advogado entrou com uma ação contra a Secupa no Tribunal de Justiça, e a prefeitura teve que cumprir uma série de medidas para garantir o bem-estar e o cuidado dos cachorros. Tentei falar com a pessoa da Secupa responsável pelo resgate dos animais na época, e o que ela me dizia é que era difícil fazer essa ação de resgate, porque os cachorros mudavam frequentemente de lugar.

No entanto, debilitados, sem comida e água, os cachorros não iam muito longe, e estavam assustados por causa dos maus-tratos que sofriam nas ruas. Ou seja, era fácil sim resgatá-los, bastava querer. Pedi que ela entrasse em contato comigo quando os cachorros fossem resgatados para divulgarmos que a Secupa estava fazendo o seu trabalho e os animais foram resgatados e estavam bem. Porém, isso nunca aconteceu e sigo encontrando os animais pelas ruas da Torre, entregues à própria sorte. E não apenas eles. Basta circular rapidamente pela Torre e outros bairros de João Pessoa, para ver gatos e cachorros abandonados. Na feira da Torre é comum, ainda, o abandono de animais. Falta a Secupa colocar em prática a política pública de proteção animal, cumprindo os objetivos para a qual a pasta foi criada. Entretanto, não é isso que vemos. A mídia, por sua vez, não cobra nada da prefeitura de João Pessoa.

Infelizmente, blogs, sites, perfis em plataformas digitais e programas de rádio, entre outras mídias na Paraíba, ocupam-se mais de picuinhas, intrigas e discussões entre políticos do que em monitorar políticas públicas e cobrar dos gestores que elas sejam implementadas adequadamente. Desse jeito, pessoas e animais ficam à mercê da boa vontade de alguns políticos que usam causas nobres, como a causa animal, para fazer politicagem e se eleger com fins totalmente particulares, em benefício próprio e de sua família. Nunca em prol do interesse público. E a mídia segue esse mesmo roteiro.

*Mabel Dias é jornalista, mestra em Comunicação pela UFPB, doutoranda em Comunicação pela UFPE, associada ao Coletivo Intervozes, observadora credenciada no Observatório Paraibano de Jornalismo e conselheira do Conselho Nacional dos Direitos Humanos. Autora do livro A Desinformação e a Violação aos Direitos Humanos das Mulheres: um estudo de caso do Alerta Nacional (editora Arribaçã).

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

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